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17/04/2024

Inovação orientada por missões no debate sobre política científica com WTT e CNI

A WTT e a CNI promoveram, no dia 16 de abril, em Brasília, um debate que reuniu representantes da indústria, academia, governo e sociedade civil, e faz parte do caminho preparatório da 5a Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação, que será realizada em junho para  elaborar a estratégia da política cientifica nacional para da próxima década.

A Inovação Orientada por Missões é uma abordagem que coloca a ciência a serviço do desenvolvimento sustentável. Nessa perspectiva, são essenciais três fatores: direcionalidade para objetivos sociais e econômicos ambiciosos; colaboração entre diferentes atores e disciplinas e clareza de metas e prazos.

Foi a partir desse contexto que CNI e WTT construíram a conferência “Inovação Orientada por Missões: contribuições para a construção da nova política tecnológica e de inovação brasileira” para discutir então  experiências empíricas dessa abordagem para levar recomendações concretas à 5a CNCTI.

A abertura do encontro contou com a presença de Jefferson Gomes, diretor de Tecnologia e Inovação da CNI, Andre Wongtschowski, diretor de inovação de WTT e Guila Calheiros, secretário de desenvolvimento tecnológico e inovação do MCTI.

Andre Wongtschowski (WTT); Jefferson Gomes (diretor de Tecnologia e Inovação da CNI) e Guila Calheiros (MCTI / CNCTI);. Foto: Gilberto Sousa/ CNI

 

“Inovação Orientada por Missões: o que, porque e para que” foi o primeiro debate da manhã com a participação de  Inácio Arruda (Secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI) Mariano Laplane (Coordenador do Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável) e Francilene Garcia (Vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Andre Wongtschowski e moderação de Fábio Guedes Gomes (secretário-executivo da Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento).

Além dos fundamentos e relevância da abordagem, destacou-se na mesa também a importância de monitoramento de impacto e diagnóstico de missões para que elas possam de fato responder às vulnerabilidades nacionais e garantir avanços efetivos.

Esse é o principal ponto: é preciso que a gente, ao olhar uma agenda de missões, olhe também para uma agenda de governança que não sofra com as sazonalidades da política brasileira“, destacou Francilene Garcia.

O segundo painel do dia dedicou-se aos aprendizados de iniciativas brasileiras para agenda nacional de Missões, trazendo experiências práticas de projetos e agências. Para falar sobre o tema, estiveram presentes Verena Hitner (secretaria executiva do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, Marília Basseti (Coordenadora na Gerência de Análise Econômica e de Dados da Embrapii), José Roque (Diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) e Marcelo Knobel (Unicamp), com mediação de Rafael Lucchesi (Diretor de Desenvolvimento Industrial e Economia da CNI).

“A oportunidade que se coloca hoje é excepcional: estamos vivendo um momento de fazer as coisas andarem naquelas áreas em que o Brasil já atua na fronteira – então é um reconhecimento que a gente precisa fazer: deixar os “viralatismos” de lado. Mas fazer isso com o governo fragmentado é muito complicado. A necessidade de articular instrumentos e atores é preponderante ao orçamento, em relação ao possível sucesso dessa política“, pontuou Marília Basseti.

Marília Basseti (Embrapii). Foto: Gilberto Sousa/ CNI

 

Uma das grandes contribuições do dia foi a de Severino de Lima Júnior, da Associação Nacional dos Catadores, no painel sobre “Estratégias de participação e modelos de governança”, trazendo a perspectiva das organizações da sociedade civil para um debate que muitas vezes se restringe a um grupo limitado de atores. O painel teve ainda a moderação de Jorge Audy (Superintendente de Inovação e Desenvolvimento do TECNOPUC) com as importantes participações de Fernanda De Negri (Diretora de Estudos Setoriais IPEA) Caetano Penna (Diretor da CGEE) e Odir Dellagostin (Presidente da CONFAP).

Severino de Lima Júnior, da Associação Nacional dos Catadores, em participação virtual na conferência.

 

Na mesa de “Capacidades das instituições para implementação das Missões”, debateram Marcos Vinícius de Souza (Pesquisador USP), Francisco Gaetani (secretário para Transformação do Estado do Ministério da Gestão e Inovação), Jackson de Toni (Especialista em Gestão de Projetos e Gerente de Planejamento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e Ronaldo Carmona (Assessor da Diretoria de Inovação Finep) com a moderação de João Carlos Ferraz (UFRJ) e, por fim, mostrou-se importante o diálogo sobre grandes projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para missões, trazendo experiências do setor privado para o debate. Nesse sentido, Rodrigo Fumo (Diretor Superintendente WEG Motores), Maurício dos Santos Neves (Departamento de Inovação e Estratégia Industrial do BNDES) e Marcelo Prim (Diretor de Operações da Embrapii) expuseram as vivências em diferentes projetos privados a partir da perspectiva de missões.

Para WTT, o tema de Missões é central desde a fundação do Centro de Orquestrações de Inovações. Idealizado em meados de 2020, o COI, que conta com apoio do iCS, parte da inovação orientada por missões para formar equipes extraordinárias que, através da colaboração científica, desenvolvem ou aprimoram soluções inovadoras para problemas socioambientais definidos e diagnosticados com parceiros. Atualmente os pilares com os quais o COI atua são Agricultura Familiar, cujos projetos contam com suportes de organizações como Ibirapitanga e Porticus, e Bioeconomia, que já teve aportes do FJBSA. CLUA e Fundação Konrad Adenauer .

Além do desenvolvimento de tecnologias através dessas orquestrações, a atuação do COI também vem se fortalecendo através de um componente de advocacy, no qual WTT busca que as inovações e as questões trabalhadas nos projetos ganhem espaço dentro de debates sobre políticas públicas de ciência e tecnologia. Assim, o Fórum Brasileiro de Inovação Orientada por Missões e as Conferências Livres, entre elas a realizada com CNI, costuram essa gama variada de esforços que dialogam sempre com a abordagem de missões impulsionada pela WTT.

Assista a conferência completa no YouTube da CNI aqui