C a r r e g a n d o . . .

02/10/2026

NY Climate Week 2026: o que a WTT leva de Nova York

A World-Transforming Technologies (WTT) participou da Climate Week NYC 2026, realizada em Nova York entre 21 e 24 de setembro, em paralelo à abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU. A programação reuniu clima, ciência, tecnologia e inovação, sistemas alimentares, financiamento, democracia e desenvolvimento internacional, em um contexto marcado pelo agravamento dos desafios ambientais e pela necessidade de acelerar a implementação dos compromissos globais. 

A WTT integrou discussões sobre inovação climática, ciência, tecnologia e inteligência artificial. As conversas reforçaram a necessidade de transformar compromissos globais em soluções aplicadas aos contextos locais e de acompanhar a governança da inteligência artificial como tema emergente para a agenda de CT&I e clima. 

Esse debate ganha ainda mais relevância diante do atual cenário ambiental. Dados do Planetary Health Check 2026, do Instituto Potsdam (PIK), apontam que sete dos nove limites planetários já foram ultrapassados, reforçando a urgência de avançar para além da redução das emissões e ampliar a capacidade de regeneração dos sistemas naturais. O baixo ritmo de avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável evidencia, da mesma forma, a distância entre compromissos e implementação. 

Nas agendas sobre sistemas alimentares,as discussões destacaram a conexão entre segurança alimentar, resiliência, biodiversidade e modos de vida, incluindo agricultura tradicional, sistemas agroflorestais, proteção da água, pesca e extrativismo sustentável. O financiamento da transição também ganhou destaque, com discussões sobre blended finance, combinando recursos filantrópicos, concessionais e de mercado, e sobre a necessidade de criar estruturas capazes de direcionar recursos para iniciativas concretas. Entre os pontos levantados esteve a importância de mecanismos que ampliem a participação e a capacidade de decisão de povos indígenas e comunidades tradicionais, conectando financiamento à coprodução de conhecimento e tecnologia, como no caso do BTIP, no marco da UNFCCC. 

A presença em Nova York também fortaleceu a conexão com redes latino-americanas, a partir do ecossistema da Fundación Avina. As trocas ampliaram a presença de perspectivas da região nos debates internacionais e deram visibilidade a conhecimentos tradicionais, educação ambiental, sementes e recursos genéticos como componentes dos sistemas de conhecimento que sustentam a biodiversidade e os modos de vida. A programação incluiu também diálogos sobre respostas de povos indígenas a desastres ambientais relacionados ao clima e filantropia para ciência. 

Saímos de Nova York com cinco prioridades reforçadas: fortalecer o espaço cívico e a governança democrática como condições para transições justas; contribuir para mecanismos concretos de financiamento combinado; ampliar a participação de povos indígenas e comunidades tradicionais nas decisões sobre recursos; qualificar o debate sobre minerais críticos e bioeconomia a partir de salvaguardas territoriais e repartição de benefícios; e acompanhar a governança da inteligência artificial na agenda de ciência, tecnologia e inovação para o clima. 

Para a WTT, a transformação passa por aproximar ciência, tecnologia, inovação e financiamento das necessidades e conhecimentos de quem cuida dos ecossistemas, conectando compromissos globais a mudanças concretas nos territórios.